A Revolução dos Bichos - Uma obra prima de George Orwell

George Orwell, na verdade o pseudônimo de Eric Arthur Blair, traz em seu romance “A Revolução dos Bichos” a realidade dos sistemas políticos, numa visão ácida de quem vivenciou o que escreveu. Neste livro, Orwell satiriza um fato histórico, a revolução russa de 1917, onde cria como correspondentes deste fato histórico, os animais.
Confira alguns apontamentos referentes a este clássico da literatura mundial.


Fábula da vida real 

Semelhante às fábulas, os líderes russos da vida real são transformados em porcos na história de Orwell. Os animais de uma granja pertencente ao senhor Jones são explorados e oprimidos por ele e os demais humanos. Um dos porcos da granja, o “velho major”, reúne os demais bichos, aos quais se refere como “camaradas”, e planta em seu discurso a semente do que podemos dizer ser o socialismo utópico, pregando a revolução e a tomada da granja pelos animais.


Karl Marx x Major

Pode-se dizer que o velho major seria Karl Marx na fábula de George Orwell.
Embora o discurso do velho major pregasse a igualdade, há uma hierarquia intelectual entre os animais da granja, a casta dos porcos, por exemplo, é tida como intelectualmente superior, sendo que no decorrer da narrativa notaremos que por serem privilegiados neste sentido, os porcos da granja usarão este artifício para obterem vantagens sobre os demais.

Outros personagens


O velho major falece, porém suas palavras deram uma nova óptica aos animais mais inteligentes do recinto, ou seja, os porcos, dentre os quais três irão exercer papéis fundamentais na tal revolução:
1-      Napoleão; pouco falante, de aparência ameaçadora e reputação de ter grande força de vontade, corresponde a Stalin.
2-      Bola-de-neve: mais ativo que Napoleão, eloquente, descrito pelo narrador como um porco de caráter duvidoso, corresponde a Trotski.
3-       Garganta:porquinho gordo e castrado, bochechas redondas, movimentos lépidos, voz aguda e imenso poder de persuasão, não há um correspondente histórico a ele como nos casos anteriores.

A partir das idéias do major e das reuniões secretas que organizavam, estes personagens compõem um movimento chamado “animalismo”, ou seja, o stalinismo. Os porcos terão a partir daí o apoio dos demais “camaradas”, sendo que os discípulos mais fiéis são os cavalos Sansão, caracterizado fortemente pela sua força para o trabalho e pouca inteligência, e Quitéria.


Cavalos = proletários


Os cavalos simbolizam o proletariado, explorado em sua força de trabalho quase que escravista. Os animais da granja adotam como hino “bichos da Inglaterra”, uma canção pró-revolução dos animais. 

Neste meio tempo, o decadente e alcoólatra senhor Jones, dono da granja, perde muito dinheiro numa ação judicial. Este fato o motiva a beber ainda mais, deixando de lado sua granja.

Os animais nem são mais alimentados, o que gera então o estopim necessário para o início da revolução.


Os explorados viram exploradores


Os antes também explorados porcos se aproveitarão de sua inteligência e irão explorar as demais castas animais ao assumirem o poder. Isto coloca em questão o caráter de igualdade proclamado pelos sistemas socialista e comunista, principalmente em relação à Rússia e a sua revolução, denominada por Orwell como “o mito russo”. O que vemos é que na prática, o poder corrompe o indivíduo, fazendo com que a igualdade torne-se utópica.
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