A verdadeira Lispector: conheça a essência da escrita de Clarice

Nome quase sempre presente nos mais diferentes vestibulares e fazendo parte do conteúdo programático de cursos universitários, de Letras até Direito, Clarice Lispector sofreu com o fenômeno da massificação negativa nas redes sociais, ao lado de autores como Caio F. Abreu, por exemplo.
Mas porque massificação negativa? O fato dos usuários do Facebook, postarem irrestritas fotos e imagens, com frases atribuídas erroneamente à escritora, criou um tipo de viral, levando o nome da autora, que publicou obras célebres da Língua Portuguesa, como “A hora da estrela” e “ Paixão segundo G.H.” à fragmentação de sua essência.
Sendo assim, viemos por meio deste artigo, apontar algumas características peculiares de Clarice, tanto para dar uma dimensão mais correta de sua narrativa, quanto para mostrar a profundidade de sua prosa, que é de fato, uma das mais significativas do pós-modernismo.

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O estilo de Clarice

Nos romances, contos e crônicas da escritora, uma característica que é ressaltada e aparece sistematicamente em seus livros, é a presença do universo interior.
Sendo assim, os personagens são mergulhados no mundo das emoções mais profundas. A importância das ações é levada ao plano das emoções e sentimentos do personagem.
Assim é G.H, assim é Macabéa, a heroína às avessas de “A hora da estrela”, por exemplo.

Visão feminina

Podemos afirmar que a visão feminina expressa por meio da literatura do mais elevado nível produzida pro Clarice, se debruça exatamente por não colocar o foco nas ações de suas tramas, mas essencialmente no que está nos bastidores da ação: Porque tal fato ocorre? O que motivou ou está por trás de tal comportamento do personagem?

Ruptura com a narrativa tradicional

Muito da genialidade de Lispector, reside no fato de quebrar padrões e revolucionar. Isto ocorre em sua escrita antinarrativa. A partir do momento que seus textos buscam antes de tudo o autoconhecimento, os padrões da linguagem narrativa são rompidos (tempo, espaço, cenário, clímax, confronto). Temos então em suas obras, uma estética não-linear.

Pensar x falar

Neste binômio pensar x falar temos outro forte indício da expressão de Clarice Lispector em seus livros: o fluxo de consciência. Em ouras palavras, a linguagem abordada não é a da fala, do diálogo, mas sim da linguagem pensada, retomando assim o dialogo interior da personagem.
Claro que há dramas, mas ele fica no campo psicológico, motivando o estado intimista de um mundo cada vez mais subjetivista e voltado exclusivamente às sensações do ser.

O cotidiano é dramático

Para Clarice, a vida é quebrada pelo choque, a crise da existência. As personagens femininas de sua prosa ilustram bem esta nuance. Para elas, a família, o dia a dia, o simples viver, é um drama.

Epifania

Uma técnica que propõe a revelação e iluminação do personagem. É o tal choque que falamos lá atrás. Um mergulho na transcendência que transporta o personagem a sua essência.  
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