Brasileiro gênio do terror: cultuado em países como os EUA, José Mojica Marins, o Zé do caixão, é um dos grandes na sétima arte.

Não se sabe ao certo se a desvalorização deste artista em seu próprio país é reflexo da nossa colonização, ou por termos absorvido excessivamente a cultura vinda de outros países, colocando sempre o que é nosso, em segundo plano.
A verdade é que sociólogos e cientistas sociais já relataram à baixa-estima brasileira, uma espécie de síndrome de terceiro mundo. Algo que atualmente, não faz tanto sentido assim. Somos uma das economias mais fortes do mundo, temos nomes de peso nos esportes, nas artes, na tecnologia, não devendo nada pra ninguém.
Talvez a história do cineasta José Mojica Marins, o homem por trás do personagem Zé do Caixão, tenha este ranço de desvalorização de nossa própria cultura pelo seu povo.


Muito menos valorizado no país de origem, tendo em vista que lá fora ele é visto com um gênio do cinema trash alternativo, ou seja, lá o rótulo que se queira dar, nosso Zé é responsável pro clássicos do horror que fariam fãs de The Walking Dead chorar.
Confira neste artigo, um pouco mais deste gênio incompreendido.

Sobrevivendo à ditadura: Zé do Caixão

Vítima de censura na época da ditadura, Zé do Caixão sobreviveu às dificuldades de se produzir cinema na contra mão da história e do que era comum naquele contexto.
Um personagem que concentra tudo o que pode haver de pior e sentir-se maior que todo mundo. Assim podemos definir o temido e maldito Zé do caixão!
Entre as temáticas dos filmes protagonizados por ele é a busca da mulher ideal. E para isso, ele não mede esforços e maldades para que sua meta seja enfim, alcançada.
Sádico ao extremo, niilista de coração, Zé do caixão usa de imagens e insetos peçonhentos, como ratos, baratas e aranhas, para causar pânico em suas vítimas.

Delírios de um anormal

Entre suas produções, Delírios de um Anormal, datado de 1978, pode ser apontado como um filme revolucionário. Mais que isso, ele inova. Inova, na medida em que a colagem cinematográfica da obra ( feita por Nilcemar L.), cheia de cortes de planos, dá um aspecoto destoante na narrativa deste filme.
Na verdade, a genialidade da obra, além da interpretação e criatividade de se fazer cinema com recursos mínimos, gira em torno do diálogo estabelecido ente as cenas.
No filme, cenas de diferentes filmes são coladas, criando outra história, onde cada quadro complementa o outro.
A frase proferida por José Mojica, “Restos de meus próprios restos”, define de maneira ímpar, o que de fato, é este filme.
Pesadelos, cemitérios, aranhas desgraçadas, gritos de horror, e todos os elementos que caracterizam o cineasta, estão presentes nesta película. Confira se puder e tiver coragem, claro.  
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