Dica de Filme “O Enigma de Kaspar Hauser” – a visão da psicologia aplicada ao cinema

Um filme que mistura questões de saúde, psicologia, tudo sob um viés artístico. Assim é o filme dirigido pelo cineasta alemão Werner Herzog, O Enigma de Kaspar Hauser.

Esta análise foi construída a partir do texto “Desenvolvimento psicossocial”, relativo a teoria de Eric Erikson, sendo que algumas cenas ilustram bem os estágios do desenvolvimento estudados por ele.
Relacionamos aqui, alguns apontamentos sobre o modo como age Kaspar Hauser, justificando este comportamento com a visão da psicologia.



Primeiras impressões

O primeiro impacto que nos causa o filme é a apresentação de Kaspar Hauser e o ambiente em que ele se encontra. É necessário levar em conta o contexto. Kaspar viveu parte da infância isolado, sem convívio com pessoas, afastado dos pais, num calabouço.
No filme ele aparece como “homem feito”, envolto de trejeitos infantis, alimentando-se precariamente. Seu modo de agir não corresponde a sua idade física. Isto ocorreu, pois segundo a teoria de Erikson, Kaspar “passou batido” pela primeira infância, denominada por Erikson como fase da confiança x desconfiança (correspondente a fase oral de Freud).
Nesta fase, a criança terá experiências que farão com que ela confie ou não nas pessoas. Para que isto ocorra, ela deve ser prontamente atendida pela sua mãe em suas necessidades de se alimentar, de limpeza, de afeto, caso contrário, o bebê irá desenvolver um sentimento de desconfiança generalizada acarretando consequentemente um retraimento social e uma dificuldade de se estabelecer relações afetivas.

A arte imita a vida : o retraimento social

É exatamente o que percebemos no personagem do filme. Este retraimento não é apenas social, mas também emocional e motor. Kaspar Hauser mal profere as palavras, não se locomove sozinho. Tudo isso devido ao isolamento e o ambiente em que sobreviveu pobre em estímulos que o auxiliariam a se desenvolver.
Esta é a causa de sua triste sina, relatada na história do filme, baseada em fato verídico (Kaspar seria filho de um nobre alemão, e para não sucedê-lo foi raptado, este fato data de 1828).
Posteriormente, confirmando a teoria de Erikson, Kaspar, ao viver em um ambiente com estímulos, vai superando com o tempo o retardamento de seu desenvolvimento e passa a adquirir habilidades como escrever, aprender a tocar piano, eventos relativos a quarta idade de Erikson, denominada “domínio x inferioridade”, onde a criança passa a progredir e explorar mais o ambiente.
Devido a este lapso de tempo longe do convívio social, nota-se uma não linearidade no desenvolvimento de Kaspar, em relação às fases apontadas por Erikson, o cunho do filme é dramático, e serve até mesmo de alerta para a importância da educação e presença dos pais para o desenvolvimento sadio de seus filhos.
Kaspar Hauser sofre não apenas com seu lento desenvolvimento, mas também por ser alvo da ridicularização e exploração humana (há uma cena em que ele aparece como uma “aberração” sendo atração de um circo, ou algo do gênero). Podemos dizer que tal ridicularização se trata do fenômeno que hoje conhecemos como bullying.
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