Literatura: Macunaíma, de Mario de Andrade é um livro emblemático do Modernismo brasileiro

Considerado por muitos como uma leitura complicada e de difícil fluência, Macunaíma se trata de um trabalho elaborado após anos de pesquisas e figura tranquilamente entre os maiores clássicos da literatura moderna. Conheça mais acerca desta obra, uma das mais requisitadas nos vestibulares do país.
O herói sem nenhum caráter e a transcrição da oralidade
Incluindo em sua concepção traços mais que intensos do folclore, mitologia indígena e lendas, a obra Macunaíma, do brilhante modernista Mário de Andrade, é apontada pelos críticos literários como um verdadeiro retrato do léxico brasileiro.
Isto porque ao conceber a obra, Mário investiu fortemente na pesquisa da oralidade de diversas regiões do país, o que refletiu diretamente em sua escrita, posto que a narrativa é muito próxima da linguagem falada.
Vocabulário erudito
A linguagem encontrada em Macunaíma, além de popular, falada e coloquial, é também erudita, tendo em vista que os elementos que articulam e compões esta linguagem na trama, são fortemente embasados na pesquisa e referências literárias e culturais extensas e desregionalizadas, o que de fato, enriqueceu a obra.
Provérbios, ditos populares e frases feitas
O herói às avessas da trama, Macunaíma, se vale de falas alheias, como se as fossem dele. Isto reforça o maior traço de sua característica: falta de caráter.
Malandro ao extremo, Macunaíma revela traços alheios como o de Pedro Malazartes, ou até mesmo as trapaças do jabuti, personagem de contos folclóricos.
O contato próximo que a obra estabelece com o leitor é atingido por meio das frases popularescas, como por exemplo “antes só do que mal acompanhado” e “dandar pra ganhar vintém “, expressões que ilustram bem o lugar comum que diminui a distância que porventura, o livro possua com o leitor.
Macunaíma: o personagem
Protagonista da trama modernista, ele pode ser considerado o herói, na medida que enfrenta diversos obstáculos no desenrolar de suas ações. Todos estes conflitos são enfrentados, com foco num só objetivo: a muiraquitã, um amuleto.
No entanto, a denominação anti-herói lhe cai bem melhor, na medida em que Macunaíma não têm características nobres de um herói, ao contrário, ele reflete o próprio antagonismo de tais qualidades típicas do modelo heroico.
Oposto ao arquétipo do romantismo, o herói no modernismo é um herói às avessas, talvez mais verdadeiro e real do que aquele herói dos sonhos. Macunaíma demosntra defeitos inúmeros. Ele é o imperador da mata virgem mas morre de medo, por exemplo. Sua preguiça era tanta, que até pra falar ele demorou 6 anos. Tanto que seu jargão traduz tal “qualidade”: Ai , que preguiça!
O personagem em questão caiu feito luva no cinema, onde ganhou vida na interpretação do falecido ator Grande Otelo.
Jeitinho brasileiro?
Alguns estudiosos atentam ao fato de Macunaíma revelar o famoso jeitinho brasileiro. De certa forma, o personagem em questão pode servir como uma alegoria e uma reflexão sobre o modo de falar brasileiro, o querer levar vantagem em tudo, nos fazendo questionar e refletir a respeito. 
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